TL;DR
O G-Portugol (gpt) acaba de ganhar a release 1.2.0 e um novo upstream. Neste post, vou contar um pouco da história de como conheci o projeto e os próximos passos que vêm por aí.
Meu primeiro contato
Tive meu primeiro contato com o G-Portugol em 2006, durante uma volta no Parque Olhos d’Água, em Brasília, quando conheci o Thiago Silva. Conversando sobre interesses em comum, acabamos falando sobre o “livro do dragão” (compiladores) e linguagens de programação. Foi nesse contexto que ele comentou que vinha desenvolvendo um projeto educacional chamado G-Portugol.
O G-Portugol é uma linguagem desenvolvida totalmente em português, com capacidade de compilar, traduzir (para a linguagem C) e interpretar programas tanto em GNU/Linux quanto em Windows. Um de seus grandes diferenciais é permitir o uso de acentos em palavras-chave, como variáveis, então, senão, início, faça, até, entre outras. Segundo o Thiago, a letra G no nome vinha da intenção de tornar o projeto parte do ecossistema GNU, além de facilitar a chamada pelo terminal (gpt).
Em paralelo, ele também desenvolveu um editor de textos próprio, que permitia escrever, executar e depurar algoritmos de forma mais simples e acessível, especialmente para fins educacionais, chamado gpt-editor.
Nesse mesmo encontro, o Thiago me contou que havia acabado de voltar de um ano vivendo em um monastério budista no interior de São Paulo. Essa informação é bem importante, já já volto nela…
A trajetória do projeto
Em 2007, o usuário Ricvelozo criou a versão inicial do verbete sobre o G-Portugol na Wikipedia.
Comecei a manter o pacote no Debian em 2008. Desde o Debian Lenny (2009), o G-Portugol já estava presente oficialmente na distribuição. No Ubuntu, tudo indica que o primeiro sync do pacote ocorreu em 2014, na versão Trusty
O projeto começou sendo mantido em SVN no BerliOS. Com o encerramento do serviço, o código migrou para o SourceForge. Em 2013, Thiago converteu o projeto para Git e hospedou no GitHub, mas o repositório original desapareceu logo após ele apagar sua conta pessoal. Felizmente, ainda mantenho um fork dessa época.
A última release oficial do gpt foi lançada em 2010.
Embora seu desenvolvimento tenha sido limitado ao longo dos anos, o G-Portugol continuou a ser amplamente utilizado em contextos educacionais, incluindo livros, palestras, artigos científicos, monografias e apostilas, fortalecendo sua presença no meio acadêmico. Estou atualmente organizando essas referências no wiki do projeto.
Monge budista
Em 2018, Thiago se mudou para o Sri Lanka, onde passou a seguir a vida como monge budista da tradição Theravada (Teravāda). Ele comentou que essa escolha está relacionada ao desejo de seguir os passos do primeiro Buda, Sidarta Gautama, já que essa tradição busca preservar e praticar os ensinamentos mais antigos e próximos da prática original do budismo.
Durante a ordenação, ele recebeu do abade um novo nome em sânskrito: tyāg, que significa “generosidade”. Posteriormente, quando se tornou monge, passou a ser chamado de Āryatyāgo.
Novo upstream do G-Portugol e nova release
Nos últimos anos, recebi diversos patches para o G-Portugol no Debian, que mantiveram o projeto compatível com novas versões do GCC, corrigiram dependências e migraram o projeto para PCRE2. Com isso, o G-Portugol continuou compilável e funcional nas versões mais recentes do Debian e Ubuntu.
Em 30 de outubro de 2025, criei a entidade gportugol no Github e reorganizei o projeto em dois repositórios: um para o gpt e outro para o gpt-editor. Passei a atuar oficialmente como upstream, centralizando desenvolvimento, manutenção e coordenação das contribuições. Também lancei um novo site. Automatizei a geração dos binários para GNU/Linux e Windows, fiz melhorias pontuais e lancei a primeira release desde 2010: a 1.2.0.
Como o monge não deve mais atuar diretamente no projeto, esse novo upstream se torna ainda mais importante para manter o G-Portugol vivo e atualizado.
Viva o legado do monge Āryatyāgo!
Próximos passos
- Migrar o parser para o ANTLR4
- Migrar o projeto para 64 bits
Cadastrei alguns pontos para acompanhar no GitHub.

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